O que Caique Pereira, da Escola para YouTubers, aprendeu sobre o algoritmo e a criação de conteúdo

O que Caique Pereira, da Escola para YouTubers, aprendeu sobre o algoritmo e a criação de conteúdo

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O começo de tudo: fracassos, testes e o nascimento da Escola para YouTubers

No primeiro episódio do programa De Criador para Criador, Bruno Menezes recebe Caique Pereira, criador do canal Escola para YouTubers, para uma conversa franca sobre o caminho da criação de conteúdo no Brasil.

Caique relembra os tempos em que tentava de tudo — gameplays, covers, tutoriais de piano (sem saber tocar) — e nada dava certo. Depois de cinco anos de frustração, ele percebeu que o problema não era o algoritmo, mas a própria forma como criava.

“Continuar fazendo a mesma coisa esperando resultados diferentes é a definição de loucura”, diz Caique.

A virada veio quando ele decidiu estudar o YouTube a fundo. O resultado foi a criação do canal Guia de Sobrevivência Jovem, um projeto que rapidamente viralizou. A partir dessa experiência, ele entendeu que o maior desafio não era apenas criar vídeos, mas compreender o que funciona e por quê. Assim nasceu a Escola para YouTubers, que hoje ultrapassa 1 milhão de inscritos.


A desmistificação do algoritmo: o foco não é o criador, é o público

Um dos pontos centrais da conversa foi o mito do algoritmo. Caique revela um dos aprendizados mais marcantes de suas conversas com engenheiros do YouTube:

“O algoritmo não foi criado para divulgar o seu vídeo. Ele foi criado para encontrar vídeos que as pessoas queiram assistir.”

Ou seja, o segredo não está em “agradar o algoritmo”, mas em entender o comportamento das pessoas.
Para ele, criadores que focam apenas em métricas perdem o senso de humanidade do conteúdo:

“Você só vai ter números quando entender pessoas.”

Essa mudança de mentalidade — de métricas para pessoas — é o que diferencia criadores sustentáveis de quem vive em busca de atalhos.


Direitos autorais: o maior vilão disfarçado de detalhe

Caique e Bruno abordaram também um tema delicado: o uso de conteúdo de terceiros. Segundo o criador da Escola para YouTubers, a falta de clareza sobre direitos autorais ainda destrói muitos canais.

“Muita gente joga o jogo sem saber as regras”, comenta Caique.

Ele reforça que no Brasil não existe “Fair Use” como nos Estados Unidos. E mesmo o uso de pequenos trechos pode gerar bloqueios ou strikes, já que as empresas podem mudar de política a qualquer momento.

O conselho de Caique é simples:

“Na dúvida, não use.”


Collabs, networking e o perigo de mirar no público errado

Outro ponto importante foi o valor dos collabs — e o erro mais comum ao fazê-los.

“Collab só funciona se a outra pessoa agregar para o seu público, não para o seu ego.”

Segundo Caique, é comum criadores se deslumbraram com nomes grandes e adaptarem seu conteúdo para o convidado. O resultado: vídeos sem conexão com o público original.
A chave, portanto, é pensar na colaboração como troca de valor, não como trampolim de fama.


Os CTAs e a psicologia do engajamento

Um dos momentos mais práticos da entrevista foi sobre chamadas para ação (CTAs) — o famoso “curte, comenta e se inscreve”.

Caique alerta que pedir tudo de uma vez é ineficiente. Ele explica que, assim como ninguém gosta de receber várias ordens simultâneas, o público precisa entender por que está sendo convidado a agir.

“Cada comando deve ter uma razão. Peça pra pessoa se inscrever, mas diga o motivo. Diga o que ela ganha com isso.”

Por exemplo:

“Se você quer continuar aprendendo sobre criação de conteúdo direto com quem vive disso, se inscreve pra não perder o próximo episódio.”


Mitos do YouTube que ainda confundem criadores

Bruno e Caique listam uma série de mitos que ainda circulam nas redes:

  • “Posso usar 5 segundos de música sem problema.” → Falso.
  • “Se eu postar sempre no mesmo horário, o algoritmo favorece.” → Falso.
  • “Basta ter um convidado famoso para o vídeo bombar.” → Falso.
  • “É só consistência, o resto é sorte.” → Parcialmente falso. Persistência sem ajuste não gera resultado.

Caique defende que o criador precisa equilibrar consistência e experimentação, testando títulos, thumbnails e aberturas — sempre dentro do próprio nicho.


As lições de 10 anos de criação: o que todo criador deve saber

Ao final da conversa, Bruno e Caique compilaram “Os 10 mandamentos do criador de conteúdo”, um resumo das principais lições que emergiram do episódio:

🧭 Os 10 mandamentos do criador de conteúdo segundo Caique Pereira

  1. Persistência é tudo, mas sem teimosia.
  2. Teste sempre — novos títulos, formatos e abordagens.
  3. Entenda pessoas, não o algoritmo.
  4. Seja autoral, evite depender de conteúdo de terceiros.
  5. Faça collabs por valor, não por status.
  6. Use CTAs com propósito.
  7. Construa networking real, não apenas trocas superficiais.
  8. Planeje seus vídeos para o público, não para o convidado.
  9. Aprenda a ler seus dados, mas não viva por eles.
  10. Trate o YouTube como uma profissão, não um passatempo.

Considerações finais

A entrevista entre Bruno Menezes e Caique Pereira é uma verdadeira aula sobre o amadurecimento da creator economy no Brasil.
Sem fórmulas mágicas, Caique reforça que o sucesso está na combinação de autenticidade, aprendizado constante e visão de longo prazo.

“Não existe chave para o sucesso, mas existe a chave do fracasso — repetir os mesmos erros esperando resultados diferentes.”

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