A Montanha-Russa do Conteúdo Viral: Uma Conversa com Gianzetta

A Montanha-Russa do Conteúdo Viral: Uma Conversa com Gianzetta

O que está por trás de um vídeo viral? Como a fama instantânea no TikTok impacta a carreira de um criador? E quais são os maiores desafios da Creator Economy hoje? Para responder a essas e outras perguntas, mergulhamos em uma conversa franca e reveladora com Gianluca Lanzetta, o Gianzetta, no programa “De Criador para Criador”.

Conhecido por seus áudios e vídeos que explodiram em 2021, Gianzetta compartilha sua jornada, desde a criação de “fake news humorísticas” até o esgotamento causado pela pressão dos algoritmos. Sua experiência oferece uma visão crua e necessária sobre a realidade da criação de conteúdo em plataformas de vídeos curtos.

Para quem quiser assistir à entrevista completa, o vídeo está disponível no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=4hQdDjwO3_w

A Ascensão Meteórica e a Fábrica de Virais

A trajetória de Gianzetta é um exemplo clássico da dinâmica do TikTok em seu auge. Ele começou a ganhar notoriedade com vídeos de humor que brincavam com o formato de notícias falsas, como a história de que o rapper XXXTentacion estaria vivo e jogando no Vasco. “Eu passei a passar minhas madrugadas em live no TikTok, montando as fake news junto com a galera”, relembra.

O verdadeiro boom, no entanto, veio com seus áudios, como o famoso “o que eu passo no meu cabelo é pular de paraquedas, sem paraquedas”. O sucesso foi estrondoso, alcançando 90 milhões de visualizações em um mês e sendo utilizado por celebridades como Virgínia e Camila Loures. “Eu imagino que pelo menos metade da população brasileira com acesso à internet já ouviu minha voz em algum momento em 2021”, reflete Gianzetta sobre o pico de sua fama.

A Pressão do Algoritmo e a Banalização do Conteúdo

Se por um lado o algoritmo pode levar um criador ao estrelato, por outro, ele pode se tornar uma fonte de imensa pressão e ansiedade. Gianzetta critica a cultura da produção em massa, onde plataformas e “gurus” incentivam a postagem de múltiplos vídeos por dia, muitas vezes em detrimento da qualidade.

“Isso gera um problema de saúde mental”, afirma. A necessidade de postar constantemente, segundo ele, leva muitos criadores à exaustão e à falta de criatividade, resultando na normalização do plágio. Ele também aponta a falta de transparência das plataformas sobre o funcionamento de seus algoritmos como um fator de desmotivação. “Se o algoritmo não tá entregando, é porque seu conteúdo tá ruim. Eu já vi muita gente desistir por causa disso”, desabafa.

A Profissionalização Forçada e o Domínio das Grandes Equipes

O cenário que permitia a qualquer um estourar com um vídeo viral parece estar mudando. Na visão de Gianzetta, o mercado está se profissionalizando de uma forma que favorece quem tem estrutura. “Criadores que têm uma grande equipe por trás estão tomando o espaço de volta”, observa. Ele cita o exemplo de um criador que, com uma equipe de 20 pessoas desde o início, alcançou 9 milhões de seguidores no Instagram em apenas um ano.

Essa mudança representa um desafio para o criador independente, que muitas vezes não tem recursos para competir com produções de alto nível. A espontaneidade que marcou o início do TikTok parece dar lugar a estratégias de conteúdo minuciosamente planejadas e executadas por grandes equipes.

A Volatilidade da Monetização e o Perigo do UGC

Outro ponto crítico abordado por Gianzetta é a instabilidade financeira da carreira de criador de conteúdo. Ele alerta para o perigo de se iludir com os picos de receita. “Chegou uns contratos bons tudo de uma vez, ganhei uma bolada, achei, agora eu tenho grana. Todo mês vai entrar esse mesmo tanto e no final tá todo mundo sem dinheiro”, conta.

Ele também critica a distorção do conceito de UGC (User Generated Content), que, em sua opinião, tem sido usado por marcas e agências para contratar criadores por valores irrisórios, desvalorizando o trabalho profissional. “O UGC parece que virou o tamanho do cachê”, ironiza, mencionando ofertas de 30 reais por um vídeo.

Ensinamentos de Quem Viveu a Montanha-Russa Viral

Com base em sua jornada de altos e baixos, Gianzetta oferece conselhos valiosos para quem está começando ou pensando em desistir. Aqui estão os principais ensinamentos:

•Faça por Amor, Não por Dinheiro: A paixão pelo que você faz é o que vai te sustentar nos momentos difíceis. O retorno financeiro é uma consequência, não o objetivo principal.

•Seja Autêntico: Não tente ser o próximo grande sucesso imitando alguém. Encontre sua própria voz e estilo. O público se conecta com a originalidade.

•Tenha Paciência e Resiliência: A carreira de criador é uma maratona, não uma corrida de 100 metros. Leva tempo para construir uma base sólida e ver o retorno do seu investimento.

•Planeje suas Finanças: A receita é extremamente volátil. Guarde dinheiro nos meses de alta para se sustentar nos períodos de baixa.

•Aproveite os 15 Minutos de Fama: Quando um conteúdo seu viralizar, use esse momento para construir algo mais sólido e duradouro, seja uma comunidade, um produto ou uma marca pessoal.

•Invista em Qualidade: Mais importante do que a quantidade de posts é a qualidade do seu conteúdo. Invista em produção, roteiro e em tudo que possa agregar valor à sua entrega.

•Estude o Mercado Constantemente: As plataformas e as tendências mudam em uma velocidade impressionante. Estar sempre aprendendo é fundamental para se manter relevante.

Conclusão

A experiência de Gianzetta é um lembrete poderoso de que a carreira de criador de conteúdo vai muito além dos números e da fama instantânea. Exige paixão, autenticidade, resiliência e uma boa dose de inteligência estratégica e financeira. Seus insights servem como um guia essencial para navegar na complexa e fascinante montanha-russa da Creator Economy.

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